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Escola Secundária do Lumiar

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O Rapaz do Pijama às Riscas 

O sonho de Hitler (ou o pesadelo) não era levar o mundo inteiro para o altar dos sacrifícios; mas apenas uma parte, a dos conspurcados, ou, para ser mais específico, dos judeus e outros (ciganos, homossexuais...).
O sacrifício a que assistimos abre uma brecha nesta ordem encenada, aqui, pela família de Ralf (oficial nazi) e Elsa (esposa). Porque é um dos seus que se oferece para a matança, disfarçada de limpeza ou higiene diária. A água (leia-se, químicos) que cai lá de cima (a imagem é bastante elucidativa) concede a morte às centenas de homens e duas crianças que, de certa forma, significam todo o povo judeu, na mira do olho devastador da ideologia nazi.
Ora, a derrocada da família do comandante começa muito antes e é premonitória (ou bastante esclarecedora). Quando Bruno descobre o amontoado de bonecas no barracão já podemos antever o final. Pensamos de imediato em “A Lista de Schindler” e nos montes de corpos destinados a serem consumidos pelo fogo. Mas há mais. O espancamento do empregado judeu (na divisão contígua à sala de jantar, mas com toda a gente a perceber o que se passa), a perceção do mal por parte de Elsa (mãe de Bruno) quando vê o fumo dos crematórios, as reações da avó (desde o início, sinalizando a sua oposição ao regime) e, por último, o enterro desta, com Elsa a tentar honrar a sua memória, mas a ser impedida.
Fulcral, no entanto, é a amizade entre os dois rapazes. O que se tentava destruir ou lançar no esquecimento (apagar da face da terra) vê-se contrariado pelas duas crianças que, sem saberem, resistem. E resistem até à morte, quando instintivamente dão as mãos, já dentro do inferno (leia-se, dos balneários gigantescos, onde não havia água, mas uma chuva de químicos).
A ironia trágica está no óbvio. Um dos inocentes, o protegido pelas circunstâncias, entra pelo seu pé no campo, com a intenção de descobrir o pai do seu parceiro. Ora é precisamente um pai diferente (oficial nazi, responsável máximo pelo campo) que descobre as portas abertas do dormitório vazio, e nesta abertura, vê (percebe) a morte dada ao próprio filho e a todo um povo.
Desvendado o mistério do rapaz desaparecido, restam as lágrimas de Elsa (mãe de Bruno) e da irmã, junto ao arame farpado, ao mesmo tempo que a chuva cai, sem querer parar de cair.
A equipa dinamizadora do Clube CineLindley

Auditório da Escola Secundária do Lumiar | 29 jan. | 15h 30m

Trailer do filme:

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